Sempre gostei de ler, agora, de escrever

Meu nome é Lucia Paulino, sou filha de Itaúna e belo-horizontina de coração. Tenho 70 anos, sou casada, mãe de dois filhos, professora de Educação Física e de Yoga, aposentada, amanta das artes e principalmente da linguagem escrita.


Certo dia, andando por uma rua, vi um slogan de uma campanha: “O livro acolhe, abriga e ensina”. Achei genial, mas eu colocaria nele mais duas palavras: “O livro acolhe, abriga, consola e ama quem o lê”. O livro é um companheiro de todas as horas e de toda a vida.


Foram muitos os livros que li e as histórias que ouvi, mas escrever, só comecei, aos 68 anos.

Morando em Belo Horizonte, quem sempre me contava histórias era minha mãe: Haydèe. Eram histórias da bíblia.


Meu pai: Osvaldo me lembro dele, tendo em suas mãos um livro de matemática, hábito que o acompanhou a vida toda. Falava muito em Malba Thaan. Li alguns livros dele.


Eu e meus irmãos tivemos um brilhante professor de matemática!


Em Itaúna, nós passávamos as férias que aconteciam nos meses de Julho, Dezembro, Janeiro e fevereiro. Morei lá por dois anos.


Meu avô Chichico era um homem de origem humilde! Sabia ler jornal e assinava o nome. Com muito trabalho e esforço cresceu financeira e culturalmente. Foi pelas mãos dele que li meu primeiro livro: “Clarice” de Érico Veríssimo... Eu tinha 08 anos e, como amei Clarice...

A casa do meu avô era muito grande, tinha uma sala com uma estante enorme onde havia dicionários e coleções de livros de Érico Veríssimo, Jorge Amado, Agatha Christie entre outros. Li muitos deles.

Já minha avó Godevy, sentava comigo na rede e contava histórias dos livros e dos filmes. Eu me lembro: “Os miseráveis e O Conde de Monte Cristo”.

A minha tia Terezinha e o seu noivo José Chaves me levavam sempre ao cinema. Lembro-me de ter assistido “Sissi, a imperatriz e a Família Trapp”.

Minha tia Maria José, era professora de Português e escrevia crônicas para o jornal de Itaúna. Ela me deu um romance que gostei muito: “A filha do diretor do circo”.


Meu tio Janot comprava muitas revistas: “Cruzeiro, Manchete, Pato Donald, Mickey, etc.”. Ele tinha uma radiola na qual ouvia com ele boleros, tangos, valsas e até uma ária da Traviatta.

Havia também meu padrinho, José Gomide - primo de minha mãe – que todo aniversário me dava um livro de Monteiro Lobato, da coleção do “Sítio do Pica Pau Amarelo”.


Aos 14 anos, já em Belo Horizonte, eu e minha irmã Miriam, nas férias, gostávamos de ficar acordadas pela madrugada ouvindo rádio. Ela me emprestava livros. Lembro-me: "O Corcunda de Notre Dame”, a Segunda Guerra Mundial, Os canhões de Navarone, Êxodos, O Holocausto, etc.


A minha irmã Sônia, me mostrou as poesias: Cecilia Meireles, Vinicius de Morais, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira; crônicas de Paulo Mendes Campos e o livro “Encontro Marcado” de Fernando Sabino.

Mais tarde, li outros poetas: Fernando Pessoa, Mario de Andrade, Cora Coralina, Adélia Prado e Clarice Lispector...


Com 19 anos, cursava o terceiro ano do ensino médio do Instituto de Educação, em Belo Horizonte – curso de formação de Normalistas –. Até esta data, eu não fazia minhas redações pedidas nas escolas. Todas eram feitas pela minha mãe.


Foi então que minha professora de Língua Portuguesa – Maria Antonieta Cunha – conseguiu a me “ensinar”, de forma que fosse espontânea, redigir uma redação, recebendo dela um elogio pela forma como escrevi. Este elogio despertou em mim o gosto pela escrita que mantenho até hoje.


Veio o vestibular... minha vida de estudante de Educação Física... casamento... dois filhos...professora da rede municipal...praticante de Yoga e mais tarde, professora formada.

As leituras foram menos frequentes, pois o tempo era curto, mas conheci as ideias Piaget, Paulo Freire, Leonardo Boff, Rubens Alves, etc.


Por causa da Yoga li sobre o Budismo, meditação, chakras, mantras e etc.


Aposentada, conheci o significado das Mandalas: círculos coloridos que do centro emanam energias, apresentadas de diferentes formas. Eu me identifiquei com as Mandalas para colorir. Foi uma ocupação agradável do tempo. Colori mais de 50 livros. Hoje o tempo de colorir é pequeno porque comecei a escrever.


Penso que o prazer de sentir o lápis deslizando e colorindo os desenhos das Mandalas é o mesmo prazer de escrever sentindo com leveza, as palavras deslizando no papel.


Nessa época, encontrei um texto do escritor Paulo Coelho que me despertou definitivamente para começar a escrever. “A importância de Escrever”:

“Seja uma carta, um bilhete, anotações, histórias que ouviu”. Escreva! Escrever nos aproxima de DEUS e do próximo.


Se você quiser entender seu papel no mundo, escreva.

Procure colocar sua alma por escrito mesmo que ninguém leia, ou o que é pior, que alguém leia o que você não queria.

“Um papel e uma caneta: curam dores, consolidam sonhos, levam e trazem as esperanças perdidas”.


Eu tinha completado 68 anos e até essa época, eu só escrevia cartões de aniversário e natal. Como se fosse um despertar comprei cadernos, encapei, enfeitei de flores e mandalas. Comprei, também, um caderno de caligrafia, pois sempre achei minha letra muito feia!


Nos cadernos eu escrevi:

a) As histórias que minha avó e minha mãe contavam e outras que li ou ouvi. Neste, 137 histórias;

b) Minhas memórias: 49 folhas de um caderno;

c) Minha vida entre os Paulinos e os Saldanhas (heranças emocionais) 82 folhas;

d) Contos de fada: 20 histórias;

e) Cantigas de roda: 13 cantigas;

f) Duas cadernetas com pensamentos filosóficos e reflexões;

g) Dois cadernos de poesias: um com 40 e outro com 90 poesias.


Quando eu escrevia, sempre pensava em não mostrar a ninguém e também, nunca pensava que algum dia fosse publicar minhas escritas.


Em Novembro de 2018, uma amiga me convidou para o lançamento de um livro de poesias que aconteceria no Palácio das Artes, do projeto “Elas” (“um grupo de poetisas escrevendo um livro sobre determinado tema: Elas, as mãos e o infinito”). Tomei conhecimento, também, do livro anterior: “Elas, a alma, a cura”. O próximo seria “Elas, o amor e os ramos”.

Este evento despertou meu interesse ao ponto me fazer entrar em contato com a organização – presente no local – para mais informações. Eles me passaram um telefone de contato, porém nele, nunca consegui tais informações.


Por acaso, em 2019, ao efetuar pesquisas na internet me deparei com o lançamento de “Elas, o amor e os ramos” e com um telefone de contato.


Infelizmente, no inicio de 2020, o mundo foi assolado por uma epidemia, obrigando-nos a total reclusão. Para distração e ocupação do meu tempo, coloria mandalas e escrevia.


Foi nessa ocasião que consegui fazer um contato com a Páginas Editora e informações que me permitiriam participar do próximo lançamento: “Elas a escrita e os ventos”. Pediam que fossem enviados dois poemas que seriam avaliados e se aprovados, eu seria comunicada.

Essa comunicação não aconteceu.


Já havia desistido quando, em Março, recebi um telefonema da Editora, comunicando que meu poema “Embalando o vento” tinha sido escolhido para participar da edição de “Elas a escrita e os ventos”.

Pediam que eu enviasse, com urgência, uma mini biografia, que seria inserida no livro.

O livro ficou muito bonito com uma capa muito expressiva: “um vento soprando as palavras, em cima de um corpo de mulher”.

Participar do livro foi uma realização pessoal que me alegrou e se expandiu pela família.


O lançamento foi online, devido à pandemia, porém com muito sucesso.

Em Maio, a Páginas Editora me convidou para participar da antologia: “21 poemas... para 2021”, que tinha como tema central “a pandemia”. Esta antologia foi editada em dois volumes e eu participei com dois poemas: “E ai... 2021” e “Sonho e verdade”.


Na mesma época participei de um concurso de poesias, promovido pelo SESC/Floresta, do projeto “+60”. Fui classificada em segundo lugar com o poema “Esperança”. Participei da abertura desse projeto, com o poema “Terra, eu sou”.


Em seguida, corajosamente, sem dominar muito o assunto, me inscrevi no concurso “Detetives geniais”, promovido pela Páginas Editora. O tema deste concurso seria escrever uma história de um detetive, realizando uma investigação.

Escrevi e enviei a história de um detetive, e estou aguardado o resultado.

No dia 26 de Julho, se comemora Dia das Avós.


A “Páginas Editora promoveu uma antologia com o nome:” O que aprendi com a minha vovó ou vovô?”, pedindo que lhes fosse enviado um conto ou poema, que seria avaliado, corrigido e ilustrado. Este processo ainda se encontra em andamento, já em fase final, para lançamento em 26 de Julho, em live on line.


Aguardando o lançamento de 26 de Julho e o resultado do concurso “Detetives geniais”, aproveito para me preparar para participar do projeto “Elas”, com o tema “Elas, a terra, as constelações”.

Ocupo meu tempo, lendo o livro “A hora da essência”, do Padre Fábio de Melo, de quem já li outros livros.


Li também a biografia do Papa João Paulo II e Papa Francisco.

Assisto palestra dos filósofos: Mário Sérgio Cortela: “A vida é muito curta para ser pequena”; Karnal: o livro” Crer ou não crer” e a palestra “Existem dois Brasis”; Clóvis Barros Filho: o livro” A vida que vale a pena ser vivida”, a palestra sobre “Jesus Cristo” (que acho genial, sendo ele um ateu!).


Das minhas andanças pela literatura, meu corpo e minha mente, sentindo o prazer de ver as palavras guardadas saírem e se transformarem em contos e poemas, que alimentam os meus sonhos e os sonhos das pessoas que os leram.


A LEITURA É CULTURA, QUE EMBALA SEUS SONHOS, ENXUGA SUAS LÁGRIMAS E TE MOSTRA NOVOS HORIZONTES...

54 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo